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Corria o ano de 1949 quando, no Diário Popular, Eudoro de Sousa, centrado no problema do ensino, escreve que «a vida do pensamento filosófico não se exprime por fórmulas algébricas, de idêntico significado em todas as línguas». Daí, pois, ter o conceito «origem nas mais obscuras regiões da alma de um povo», o que, aliás, só por si justifica que a Universidade seja um lugar de iniciação na «contemplação de realidades hoje veladas pelos nossos conceitos de Natureza e Universo».
Porém, hoje, a Universidade não é nada disso, tanto no mundo, em geral, como entre nós, em particular. No Brasil, inclusive, onde Eudoro de Sousa fora professor universitário, temos, na actualidade, o testemunho de Olavo de Carvalho sobre o que diz ser, mostrando e demonstrando à saciedade, a debacle total do ensino brasileiro público e privado. Além de que, mais particularmente no texto Quem é filósofo e quem não o é, nos revelar que a única solução, perante um meio dominado por mediocridades doutoradas, é, na sequência da acção heróica e exemplar de Machado de Assis e Mário Ferreira dos Santos, salvaguardar o que, em termos de alta cultura, jamais pode e há-de ser realizado segundo um sistema de ensino tornado «abuso intelectual de menores», quando não «exploração da boa-fé popular», ou até mesmo «crime organizado ou desorganizado». Contudo, no caso de Eudoro de Sousa, pese embora as suas esperanças «nos clautros da Universidade», a verdade é que jamais acalentara ilusões sobre uma instituição feita e determinada por uma economia, uma sociologia e um direito em crise e fim de ciclo. O próprio é, aliás, bastante explícito, ao afirmar o que mais importa, a saber: «A única solução para a universidade é que ela não dê diplomas. Quando houver universidade que não tenha diplomas, aí eu acreditarei que seja uma universidade séria. Porque a esta altura quem for às aulas é por interesse em ser e não em ter» (entrevista ao "Correio Brasileiro"). Enfim, sejamos contemporâneos de Aristóteles, não nos «claustros da Universidade», como diria Eudoro de Sousa, mas antes vogando e navegando na tradição fluida e subtil da filosofia atlântica.
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