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Escrito por Miguel Bruno Duarte
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Desde que, jovem caloiro, «subiu pela primeira vez a escadaria da Universidade», até ao momento em que passou a ser reconhecido «como o pensador da Portugalidade», da «identidade nacional», ou até mesmo como o «novo filósofo português», uma coisa é certa: a cultura portuguesa continua a ser alvo das maiores falsidades, a ponto mesmo de se considerar que os Portugueses, na sequência do 25 de Abril, puderam, por via democrática, respirar, ainda que momentaneamente,a liberdade até então sufocada pelas «ortodoxias dominantes», entre as quais estariam não só o catolicismo de Gonçalves Cerejeira e o comunismo de Álvaro Cunhal, mas também «o providencialismo de Teixeira de Pascoaes e Agostinho da Silva, o nacionalismo de Salazar, o racionalismo de António Sérgio...», etc. Enfim, tudo sob o aval da Universidade, visto que, segundo já se anuncia no último dos seus livros, M. Real, cumprindo rigorosamente a ortodoxia dominante, «é Mestre em Estudos Portugueses com uma tese sobre E. Lourenço, estando actualmente a preparar doutoramento». Ou seja: os Portugueses podem dormir descansados, que há quem pense por eles. E sobretudo quando se lhes dá a conhecer uma heterodoxia sui generis... Comentários (1) | Adicionar como favorito (1) | Publique este artigo no seu site | Imprimir | E-mail | Leia mais... |
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Escrito por Orlando Vitorino
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Destinada a forjar inferiores ou escravos, a Universidade, pública e privada, abomina e ignora que todo o ensino depende, não de uma filosofia, mas da filosofia. É, pois, o que Orlando Vitorino nos explica, mostrando como, desde o Marquês de Pombal, os Portugueses vivem sob sucessivos regimes de ocupação. Daí, por exemplo, a manipulação, na sequência do ministério de Veiga Simão, dos estudantes num ensino unificado, marxista e reducionista. A par disso, temos ainda a intocabilidade da Universidade, e, não menos importante, a ocultação do mais original pensamento pedagógico e didáctico português, já de si presente nas obras de Leonardo Coimbra, Santana Dionísio, Álvaro Ribeiro, José Marinho, entre outros. Enfim, um texto que, embora publicado em 1980, no Diabo (n.º 159, Porto, 15 Jan.), mantém a mais premente actualidade.
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Escrito por Miguel Bruno Duarte
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É chegado o testemunho de mais um resistente da Geração de 50. Como tal, à semelhança do critério adoptado para com O Drama do Universitário (1953), de Afonso Botelho, pomos em destaque, extraídos da obra de António Quadros, todos aqueles trechos cuja actualidade permita abrir os olhos de quem, por atavismo social, medo ou ignorância, permaneça num limbo de cepticismo, ou até mesmo de funda e arreigada incredulidade. Para todos esses, a verdade, quer a aceitem ou não, é esta: a Universidade continua a ser a instituição mais antipatriótica que aos Portugueses, desde o Marquês de Pombal, foi dado suportar. Entretanto, é óbvio que, nos últimos cinquenta anos, se deram, entre nós, algumas alterações que vão desde a ordem legislativa à ordem curricular do sistema de ensino universitário. É o caso, por exemplo, da cadeira de «História da Filosofia em Portugal», a qual, criada em 1930, na sequência da reforma de Gustavo Ramos, se vê hoje convertida na genérica cadeira de «Filosofia em Portugal». Contudo, estamos tão-só perante uma alteração de contornos puramente acidentais, pois, em termos de conteúdo, tudo se passa como se nada tivesse acontecido. Seja o primeiro a conmentar este artigo. | Adicionar como favorito (1) | Publique este artigo no seu site | Imprimir | E-mail | Leia mais... |
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Escrito por Miguel Bruno Duarte
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 O que agora se segue, sobre o estado de calamidade em que a Universidade se encontra, foi escrito há pouco mais de cinquenta anos. Do autor, perfeitamente situado, sabemos que já então usufruía do magistério espiritual de Álvaro Ribeiro e José Marinho. Mas não só sabemos, como achamos extraordinário ver até que ponto a situação universitária continua sendo praticamente a mesma, como, aliás, se poderá avaliar pelos trechos que tão oportunamente seleccionámos. Porém, certas e determinadas alusões à Igreja Católica foram aqui preteridas. E a razão passa pelo seguinte: a acção católica, desacompanhada do respectivo pensamento, tornou-se, na actualidade, estéril e inoperante. Deste modo, sem que tal signifique qualquer espécie de animosidade para com o Magistério da Igreja, e muito menos para com a correspondente profissão de fé do autor, optámos apenas por aqueles trechos susceptíveis de pôr em marcha a necessária e esperada revolução universitária. Comentários (2) | Adicionar como favorito (1) | Publique este artigo no seu site | Imprimir | E-mail | Leia mais... |
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Escrito por João Seabra Botelho
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ASSIM FALAVA...
FELIX RAVAISSONFragmento de estudo sobre os MistériosSelecção e Tradução de João Seabra Botelho As ideias mais profundas e radicais, em religião, ( ...) foram as mesmas por todo o lado, assim como foram as mesmas as observâncias que elas impuseram. Uma só é a pomba que sobrevoou o Dilúvio para trazer o rebento de oliveira, a pomba que anunciou nos oráculos os eventos futuros, em nome da Vénus celeste, ou a pomba que pairou, Paráclito, sobre o baptismo de Jesus. Por esta razão, não encontrámos, nem encontraremos, outras ideias ou outros símbolos. O que podemos fazer é aprofundar estes princípios, para deles retirarmos uma cada vez mais completa significação espiritual e moral. Assim se aproximarão, incessantemente, duas coisas que Santo Agostinho cria já serem idênticas, e que o serão, pelo menos naquilo que cada uma tem de mais elevado: a religião e a filosofia. Comentários (1) | Adicionar como favorito (1) | Publique este artigo no seu site | Imprimir | E-mail | Leia mais... |
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Escrito por Miguel Bruno Duarte
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No sexto número da revista Escola Formal, saído em Junho de 1978, sobressai o título de um texto extremamente actual: A Universidade continua a espoliar o espólio de Fernando Pessoa. Ora, o autor, que sabemos ter sido amigo próximo de Ernesto Palma, não perdoa: «Não é só aos actores que o socialismo oferece a grande oportunidade de serem funcionários públicos. É também aos intelectuais do intelecto alheio. Faz deles presidentes de institutos, membros de comissões comemorativas, professores universitários, guardas de espólios literários: o de Camilo, o de Pascoaes, o de Herculano, o de Pessoa…». Ou seja: ontem, como hoje, estão a tornar Fernando Pessoa num estrangeiro, ao ponto mesmo de, por via da cultura oficial, fazerem dele uma figura simultaneamente literária, editorial e comercial (1).
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